Nutrição na vida real: Priscila fala sobre planejamento, constância e mudanças possíveis

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ENTREVISTA DA SEMANA · SISTEMA J1

Nutricionista conversa sobre organização das refeições, saúde metabólica, suplementos e a construção de hábitos duradouros.

Como cuidar da alimentação em meio à rotina corrida? É necessário mudar tudo de uma vez? Em entrevista ao Sistema J1, a nutricionista Priscila, CRN-9 nº 10850, compartilha sua trajetória e sua experiência na nutrição clínica e esportiva.

Retrato da nutricionista Priscila, entrevistada do Sistema J1
Priscila — Nutricionista | CRN-9 nº 10850. Foto: @patiantunesfotografia.

Sobre a entrevistada

Formada pela Universidade de Itaúna em 2010, Priscila é mestre em Educação em Diabetes pela Santa Casa de Belo Horizonte. Possui pós-graduação em Nutrição Clínica e Terapia Nutricional pelo Ganep, em Nutrição Esportiva pela Universidade Estácio de Sá e em Fitoterapia pela Faculdade Metropolitana. Atua em consultório há 16 anos e como educadora em diabetes há 11 anos, conforme currículo fornecido à reportagem.

1. Priscila, como começou sua trajetória na nutrição e o que levou você a trabalhar com nutrição clínica e esportiva?

Priscila: Minha família sempre se preocupou muito com a alimentação. Quando fui escolher uma profissão, a nutrição não era uma área bem conhecida, mas ainda assim me chamou atenção. Iniciei muito nova a faculdade e a vida profissional. Meu primeiro estágio foi em um time de futebol profissional, o que me direcionou mais para a área de nutrição esportiva.

2. Muitas pessoas sabem que precisam melhorar a alimentação, mas têm dificuldade para manter os hábitos. Na sua experiência, quais são os principais obstáculos?

Priscila: A oferta de alimentos processados é muito alta. Comer é um vício bem aceito e o não comer traz muitas críticas sociais. Isso reforça o comportamento errado com a alimentação. Os alimentos processados e hiperpalatáveis aumentam a seletividade alimentar e a resistência a alimentos in natura, o que vai gerando um efeito cascata que envolve a rotina corrida, reforço social e o reforço do prazer alimentar.

3. Para quem trabalha o dia inteiro e tem pouco tempo para cozinhar, quais primeiros passos podem tornar a alimentação mais organizada?

Priscila: Planejar é a palavra de ordem. Use um dia livre para organizar as refeições da semana através de marmitas ou pré-preparos facilitados. Manter em casa alimentos que são indicados na sua alimentação e evitar ter aqueles que podem te comprometer, como doces, refrigerante e alimentos processados.

4. Comer bem precisa custar caro? Como montar uma rotina alimentar que respeite um orçamento apertado?

Priscila: Atualmente, infelizmente, tudo tem custado cada vez mais caro. A organização com o objetivo de reduzir desperdícios e a escolha de frutas e verduras da safra ajudam na redução do custo. Uma boa estratégia é deixar de gastar com alimentos supérfluos que não beneficiarão sua saúde.

5. Você fala bastante sobre constância. Como lidar com os dias em que o planejamento não funciona sem abandonar todo o processo?

Priscila: Seu corpo vai se recuperar bem de um dia de exceção. Todos passamos por dias repletos de imprevistos. O problema é quando a exceção vira o hábito.

6. Quais informações sobre emagrecimento que circulam nas redes sociais mais confundem as pessoas? Como reconhecer promessas que merecem desconfiança?

Priscila: Condenar genericamente um alimento como se ele exclusivamente fosse responsável por ganho de peso. Ou privilegiar um único nutriente, como tem acontecido com a proteína atualmente. O equilíbrio faz parte do processo. Nenhum resultado real vai ser conseguido sem esforço. Qualquer alimento, suplemento ou medicamento que te oferecer isto, com certeza, não será capaz de cumprir a promessa.

7. As chamadas “canetas para emagrecer” ganharam espaço nas conversas. Qual é o papel do acompanhamento nutricional durante esse tratamento e quais dúvidas devem ser levadas à equipe de saúde?

Priscila: Os análogos de GLP têm crescido muito no tratamento da obesidade com bons resultados. Infelizmente, como qualquer medicamento, têm seus efeitos colaterais, que podem ser minimizados com ajustes alimentares, suplementação específica, treinos e mudança de hábitos. Infelizmente, muitas pessoas buscam este tipo de medicação como um resultado imediato e não como um auxiliar à mudança de padrões de vida. Isso tem trazido problemas a curto e longo prazo que poderiam ser evitados.

Com um adequado ajuste alimentar associado a essa classe de medicamentos, conseguimos melhorar muito a eficácia do tratamento e favorecer a manutenção em longo prazo.

8. Sua formação inclui um mestrado em Educação em Diabetes. O que você gostaria que as pessoas compreendessem melhor sobre alimentação e saúde metabólica?

Priscila: A saúde não é um bem material, o qual você adquire e pronto. Muito pelo contrário, exige manutenção diária, cuidados e esforços para ser mantida. E isso não tem a ver apenas com o peso, mas com todos os parâmetros fisiológicos para se ter longevidade.

9. Para quem pratica atividade física, quais são os equívocos mais comuns sobre alimentação e suplementos?

Priscila: O suplemento vem para complementar a alimentação e não para substituí-la. Nem todas as pessoas precisam de suplementos e muitas vezes eles podem ser substituídos por alimentos, desde que bem ajustados no plano alimentar individualmente.

O que ainda precisamos desconstruir é esse efeito manada: a ideia de que “se todo mundo está fazendo, eu também preciso fazer” ou “se todo mundo está tomando, eu também preciso tomar”. Na nutrição, seguir o que funciona para os outros nem sempre significa fazer o que é melhor para você.

10. Para encerrar, que mensagem você deixaria a quem deseja cuidar da alimentação, mas sente que precisa mudar tudo de uma vez?

Priscila: Mudar tudo de uma vez talvez seja o maior erro. É necessário avaliarmos quais os pontos fracos e mais necessários de mudança para irmos graduando as adequações de forma que elas sejam possíveis. Isto não significa comodismo, mas traçar metas e prioridades, pois a chance de desistir no meio do caminho quando a meta é inalcançável é muito maior.

Estabelecer etapas como parte do tratamento faz com que ele seja mais leve, possível e duradouro.

Acompanhe a entrevistada

Instagram: @priscilanlara

Entrevista por José Geraldo — Sistema J1. Respostas fornecidas pela entrevistada, com ajustes de pontuação e fluidez. Foto: @patiantunesfotografia. Conteúdo informativo; orientações sobre alimentação, suplementação e medicamentos dependem de avaliação individual pela equipe de saúde.

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